O mundo vive.
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Tudo está acontecendo agora, o dia nasceu, as pessoas saem para trabalhar, os portões se abrem, os cachorros procuram alguma comida, o comércio inicia as atividades, os motores entram em combustão. As vidas, portanto, se relacionam. O tempo não volta, nem um segundo, cada dia é um dia mais próximo do fim. Em alguns momentos não temos tempo de pensar em tudo isso, em como o mundo vive, mesmo sem precisar de nós. Nada vai parar de funcionar por nossa causa, nunca. Existem vidas tão frenéticas que não proporcionam momentos de reflexão. Vive-se apenas um dia após o outro, sem pensar, sem hesitar, sem enxergar o quão frágil e muitas vezes ilógico somos.
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O que me comove é como temos a capacidade de superar obstáculos e dificuldades, mesmo que hoje elas pareçam intransponíveis. Uma enchente, morte, problemas econômicos, saúde, decepções amorosas. Sabemos que uma hora tudo vai acabar, será que é saudável pensar assim? Tudo se resolve porque o tempo dá um jeito de acabar com tudo, não sei. Quando olhamos para trás e nos damos conta do que superamos, ficamos felizes, mas será que superar aquilo não foi exatamente uma obrigação da vida, para que tudo continuasse bem? Já pensou em se deixar levar por um azar economico e não lutar? É como se fosse morrer um pouquinho. A vida não dá escolhas, ou superamos, ou morremos. Acho que nem é mérito nosso, é um impulso de sobrevivência.
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Tudo isso me faz pensar que apenas detemos o poder de fazer as pequenas escolhas de nossas vidas, as grandes, são frutos de exigências pré-determinadas ou soluções de grandes problemas. Fragilidade, consegue enxergar? Nós somos. Um homem sábio é aquele que enxerga sua própria natureza, a reconhece no próximo, e por fim, toma sua decisão. Enfim, o mundo vive, respira, esquenta. Alguns conseguem enxergar isso, outros estão envoltos na bolha frenética do mundo globalizado, cercados. As vezes penso que não existe o melhor e pior, viver na bolha pode trazer igual felicidade, ou até mais, não existe certo e errado.
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