Vontades são forças íntimas que vivem a habitar a casa da cabeça. Elas desabrocham aqui e acolá, a cada minuto e a cada instante, saltando em saltinhos e fazendo a vida escorrer. Pessoas sentem vontades infinitas e não cabe eu aqui classificá-las, só vos digo, porém, que muitas delas, sem a força da motivação, que é irmã da outra, não saem do lugar, não em saltos nem em saltinhos.
Eu tenho vontade de escrever um livro, e não se assuste. Se és um leitor que degusta e admira a literatura colonial certamente perceberá que escrevo hoje à forma e costume Machadiana. E mais ainda, perceberá que eu tenho a vontade namorada à motivação, porque já dizia Machado em Dom Casmurro "Esta sarna de escrever quando pega, não larga mais."; pois então, é assim que a vontade da escritura vem a atormentar essa alma pequena, que faço questão em iluminar-te, não possuí tudo o que se necessita, como numa receita de bolo, para escrever um livro.
E agora? Vontade, motivação, entretanto onde está o dom? Não, é deveras difícil concretizar uma coisa dessas que os séculos dos milênios dizem ser o dom a causa mor. O que alegra a mim, e você que me lê com atenção agora, é que as vontades, quando se as quer de verdade verdadeira por sí só tendem a fazer-se de carne e osso: reais. Do mais, vou tentar, pois tentar não custa um só centavo, assim como também sonhar com as vontades impossibilíveis desse mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário