quarta-feira, agosto 13, 2008

Preciso ser sociável?


Há vários tipos de pessoas. (Eu sei que você sabe disso.)

Há aquelas que adoram ter mais pessoas ao seu redor e com elas compartilhar cada segundo de sua vida. Por esse motivo nunca estão só. Estarão felizes se os outros o estiverem. Ficam tristes se alguém lhes contar que sua vida vai mal, arrumam amizades e companias em instantes. Aonde quer que estejam conseguem uma interação quase imediata, fazendo pontes de ligação entre as mais diversas áreas e idéias que envolvem o ambiente. São verdadeiros mosaicos de características, que podem muitas vezes contribuir de forma positiva no decorrer da vida da pessoa, ou de forma contrária, ajudar a desfocar os reais objetivos propostos.

Há aquelas que não sentem necessidade de ser socializáveis. Como eu. Quando se tem preguiça das pessoas o mínimo esforço de comunicação se torna esforçoso demais. Os motivos digo-lhes que são ocultos e no mínimo de cunho pessimista. As pessoas têm opiniões, jeitos, olhares, atitudes, muitas vezes não condizentes com o que são, isso é o que mais se vê hoje em dia, em meio ao modo de vida do ser humano. Algumas coisas parecem esconder os reais propósitos da nossa estadia na Terra, como o dinheiro, a ganância, e hipocrisia. Não viémos para cá para trabalhar a vida toda para conseguir duas casas na praia e alguns carros e dígitos na conta bancária, mas isso é assunto pra outro texto.

Vivemos numa sociedade em que se finge sermos sociais, temos vínculos com o governo, com o cartão de crédito, com o banco, com Deus, menos com o vizinho, menos com a favela do outro lado da cidade. O conceito de sociedade é tão deturpado atualmente que deveríamos inventar outra palavra para designá-lo. Por quê então continuar fazendo parte disso tudo? Não é melhor tentar mudar as coisas sozinho? Não, é a resposta. Sabemos o que devemos fazer, mas não fazemos, preferimos andar em círculos com nossas próprias angústias e medos. Todos fazemos isso. Uns em maior grau outros em menor.

Não são culpados os que são extremamente socializáveis, a despeito da definição do começo do texto, foi só uma forma de dizer o que eu não sou. Nada melhor do que se auto-definir definindo o contrário no outro. Mas é bom que eles comecem a notar logo o que notei há muito tempo: nem tudo o que se vê nas pessoas é verdadeiro, e nelas, há concerteza, a distorção da interpretação da vida. Seria preciso mesmo mais uma revolução anti-sociedade, ou sua reformulação. Eu ficaria com a revolução, porque são elas mesmo que mudaram alguma coisa na história. Preciso mesmo ser sociável?